quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

2011 is just around the corner...

O passado sempre parece mais próximo do que realmente está... E isso perturba. Como se você precisasse trazer a tona algo relativamente marcante (de bom ou ruim) para perto. Pra lembrar da sua existência. Pra lembrar e sorrir ou chorar com algo que viveu. Eu não quero trazer mais nada para perto. Já quis muitas coisas de volta. Quis que elas permanecessem no presente e estivessem cada vez mais consolidadas no futuro. Mas hoje eu aprendi e quero que as lembranças fiquem exatamente onde devem ficar. Lá atrás. Que elas criem mofo de tanto afastamento, adquiram um tom acinzentado de tempo que passou e que não é pra voltar. Afastamento não quer dizer esquecimento. Quer dizer lembrar de alguma coisa e, quem sabe, conseguir sorrir sem esperar nada em troca. Em plena neutralidade. Que todas as lembranças boas, respirem. Que todas as outras, mofem. Se um dia eu sentir falta, que eu encontre a indiferença em primeiro lugar. Em algum lugar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Lá se vai 2010...

Ano confuso. Cheio de surpresas. 2009 tinha sido tão espetacularmente bom que eu achei que 2010 não fosse chegar aos pés. Mas chegou. Ou melhor ultrapassou. Pela mudança de ares. Pelo aprendizado. Pelas pessoas que entraram na minha vida. E que ainda vão ficar por um tempo. Por aquelas que saíram. Por livre e espontânea vontade. Pelos amigos de perto. Que vieram pra mais perto ainda. Por todas as lembranças, por todas as dores, pelo que ainda está por vir. Pelo que ainda está longe e eu não conheço. Porque o melhor de 2010 ainda está comigo. Bem dentro de mim. Porque o melhor de 2010 na verdade vai chegar em 2011. Como um presentinho atrasado. Como o MELHOR de 2011. 2010 foi o marco da felicidade para todos os anos que ainda estão por vir.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Para quem já foi criança III

Última cena da minha infância que eu compartilho. É a mais vergonhosa. A mais humilhante. A que tem mais cara de Letícia. Aquela cena que alguém da minha família presenciou e não esqueceu nunca e passou adiante para os demais e todos me tiram sarro até hoje.
Todo mundo sabe que Yakult é uma delícia e deveria ser vendido em litros. O fato é que a garrafinha ainda não aumentou e o pack ainda vem com 6 unidades. Em uma família de 5 filhos só se saboreava uma única garrafinha. Mas as vezes, bem as vezes - lá vem a parte vergonhosa - eu roubava o pack da geladeira e ia até o banheiro. Sim, eu me trancava lá e tomava, ou melhor, saboreava 1 yakult, 2, 3, 4, 5, 6... Até dar dor de barriga! E como se não bastasse, para não ser pega, eu enrolava as garrafinhas em papel higiênico e jogava no lixo. Maneiro, hein? Fiz isso algumas vezes antes de ser pega, acredito que por um pequeno descuido. Não lembro. O fato é que nunca mais fiz. Ficou muito feio para minha reputação em pleno desenvolvimento. Esse meu egoísmo teve um sabor meio traumatizante.