
Ela costumava dizer que não existia ninguém no mundo como ele: ele era a versão masculina dela. E vice-versa. Nunca tinham encontrado alguém que satisfizesse tanto as expectativas um do outro. Não só eram fisicamente parecidos, como gostavam e acreditavam nas mesmas coisas. O que era importante para um, tinha o seu grau de importância para o outro.
Está estranho agora. Mas já não é o estranho bom. É uma sensação ruim. Como se a vida fosse retroceder de alguma forma. Como se fosse algo que fugisse ao meu controle ou ao seu. Talvez seja medo. Mas não entendo, pois eu julguei estar preparada. Medo do vácuo que irá surgir. Medo da ausência que já foi sentida tantas vezes. Medo de que eu não te perceba mais por entre os seus textos. Medo que você não tenha mais tempo para escrever. Medo de ter outro amigo indo pra longe do meu alcance. Medo e vergonha de chorar na frente de outro sem me preocupar com a cara vermelha ou o nariz de rena. Medo de que ninguém mais me entenda e que mesmo assim me considere como você. Medo de que ninguém mais me dê duras, diretas ou indiretas do ato sublime que é viver. Medo de perder o que de alguma forma já foi perdido. Medo de que eu não possa estar junto ou vê-lo concretizando seus sonhos. Medo de não me acostumar... Pela primeira vez, depois de vários anos de convivência, sei perfeitamente dizer que tudo está estranho. Não é o estranho bom que muitas vezes sentimos ou fingimos sentir (por medo do que aquele maldito incômodo pudesse significar), mas é assim que é. Pra mim...
Boa sorte! Que o estranho possa ser bom novamente quando você já estiver lá...