segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ele é vazio ou é de pedra...

Não quero me justificar. Só vou dizer o que é e como é pra mim. É só um desabafo. Relacionamentos não me fazem bem, não me fazem melhor, só me sugam o que eu tenho de bom e me fazem sofrer. Não existe troca.... Cansei de esperar e me dedicar por algo ou alguém que nunca vem ou que nunca se entregou por completo. Pelo menos não a mim. Não quero mais. Se tudo o que eu quisesse fosse viver uma historinha de cinema, daquelas bem besta onde tudo é tão perfeito e maravilhoso que irrita, eu até entenderia minhas frustrações e meus planos malfadados. Mas não. Só queria alguém disposto a aceitar e entender minhas neuras. Me esforçaria para entender as suas também. Alguém que me mostrasse caminhos ou escolhas. Alguém que se importasse comigo e que tivesse a certeza da reciprocidade na relação. Aceitaria suas dúvidas, te ajudaria a elucidá-las - se estivesse ao meu alcance. Ficaria feliz com suas certezas e conquistas. Viver a idéia de um aprendizado contínuo e de aceitar as diferenças é um desafio. É algo que exige, mas que tem lá as suas recompensas. Se escrevo sobre relacionamentos é porque gosto, porque são pequenos fragmentos de uma vida que eu queria ter e não tenho. Acredito neles, mas não consigo vivê-los. Não me pergunte o porquê, não me mostre a minha teimosia, não aponte só os meus defeitos, não me diga que ou o que eu mereço. Eu sei aonde está a minha culpa. Eu sou o sabotador da minha própria vida... Talvez a (des)graça esteja aí, não? Não seja como eu. Não se agarre aquilo que não existe. Dói ler tudo isso, eu sei. Mas você não tem a mínima idéia da dor que é realmente viver isso... Ou o coração está vazio ou ele virou pedra.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mundo pequeno

- É uma coisa da minha cabeça procurar a motivação de um acontecimento e tentar eliminar o acaso.
Por um acaso você está querendo dizer que eu sou este acaso? Ela pensa antes de responder:
- Olha, não sei explicar o porquê a gente voltou a conversar. Simplesmente aconteceu. Você não gostou? Tem algum problema? Estou ficando confusa, como se tivesse pisando em ovos pra falar com você...
- Se você está pisando em ovos é porque está sem jeito. Se está sem jeito é porque tem motivo. E se tem motivo eu quero saber. Me conta, vai...
- Achei que já tivesse contado antes. Não podemos simplesmente deixar 'as coisas' como estão?
- Você quis saber o que acontece e eu respondi. Não me pergunte o nome do que rola, mas claro que alguma coisa rola. Se foi e é algo natural, deixemos como está. A gente continua conversando, afinal você me faz bem. O que é que tem?
- Não tem nada. Quem está encucado com alguma coisa é você. Mas tudo bem, podemos deixar assim...
- O que foi?
- Nada, só estava pensando. Claramente a gente é diferente. Enquanto você tenta racionalizar o acontecido eu 'apenas' sinto sem me preocupar com o porquê das coisas...
- Não briga comigo...
- Eu não estou brigando. Me fala o que você está pensando nesse exato momento!
- Eu acho que o mundo, às vezes, podia ser mais pequeno...
- Ai que fofo! Juro que eu achei que você fosse fugir a uma resposta. Você anda meio tímido ultimamente...
- Com tanta água no meio, às vezes, fugir de uma resposta não seja timidez. Até mesmo porque a resposta está na cara... Na verdade é só uma maneira de estender essa coisa que acontece...
- E o que acontece?
- A gente ainda não sabe. Me diz o que você está pensando nesse exato momento...
- Eu acho que o mundo poderia ser mais pequeno... E que o Brasil e a Espanha fossem próximos o suficiente para que a distância pudesse ser percorrida por uma simples ponte...

domingo, 5 de abril de 2009

Entre o real e o imaginário

Não queria que as coisas que você escreve tocassem tanto o meu coração. Não queria sentir que vez ou outra perco meu próprio controle em função sua. Não queria acreditar nas maravilhas que você descreve, muito menos acreditar em suas dores. De uma forma ou de outra, elas acabam virando as minhas também. É algo maior que eu. A racionalidade - aquela que uso como armadura - se desmancha quando você me toca. Não fisicamente, mas com suas palavras. Não basta aflorar as emoções que eu tento esconder ou disfarçar, mas você também quer gerar a discórdia entre aquilo que penso e sinto. Por que é tão difícil balancear as duas forças? O que eu deveria aniquilar? Você já escreveu sobre essa disparidade. Parece simples, mas é algo que foge a minha compreensão que sempre buscou o complexo.
Às vezes, me assusto como suas estórias me consomem por dentro. Por vezes me falta o ar. Outras me sinto queimar de raiva ou de tanta paixão. Tem vezes em que eu me desmancho em lágrimas. É como se seus personagens ganhassem vida de encontro à minha. São tão reais quanto a minha existência. Sentem o mesmo que eu. Condenam outros da mesma forma. Sofrem, desistem, voltam atrás e apesar de todas as contradições, eles vivem. Fica fácil acreditar em você e naquilo que você tão habilmente me diz. Ou me escreve. Ou me inventa. Ou me conduz. Ou me induz.
Mas são apenas palavras e talvez eu não devesse fixar-me tão ingenuamente à elas. A sua vida não é aquela que você me faz acreditar, mas é aquela que por vezes me dói imaginar. Queria poder te dizer que eu sei o que é real. Que eu sei de onde todas as suas histórias partem. Que eu sei o porquê você escreve o que escreve. Que eu sei exatamente onde o real e o imaginário se misturam ou se separam por entre as linhas e as entrelinhas dos seus contos. Mas eu não sei. E existem certas coisas que a gente não deve buscar entender. Porque doem, porque ofendem, porque permanecem obscuras - quando e onde - não deveriam estar. Porque a razão é carrasca e o sentimento ingênuo. Porque ainda não sabem conviver. Porque se digladiam e já não se sabe mais o que pensar ou sentir. O que importa é que toda vez que eu te sinto, eu me sinto. Eu vivo. Eu sigo. Mesmo que no escuro e sozinha, mas sigo. E é o que vou continuar fazendo. Sabendo ou não de onde tudo vem. Sabendo ou não o que diabos você tenta e quer me dizer.