segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Para quem já foi criança III

Última cena da minha infância que eu compartilho. É a mais vergonhosa. A mais humilhante. A que tem mais cara de Letícia. Aquela cena que alguém da minha família presenciou e não esqueceu nunca e passou adiante para os demais e todos me tiram sarro até hoje.
Todo mundo sabe que Yakult é uma delícia e deveria ser vendido em litros. O fato é que a garrafinha ainda não aumentou e o pack ainda vem com 6 unidades. Em uma família de 5 filhos só se saboreava uma única garrafinha. Mas as vezes, bem as vezes - lá vem a parte vergonhosa - eu roubava o pack da geladeira e ia até o banheiro. Sim, eu me trancava lá e tomava, ou melhor, saboreava 1 yakult, 2, 3, 4, 5, 6... Até dar dor de barriga! E como se não bastasse, para não ser pega, eu enrolava as garrafinhas em papel higiênico e jogava no lixo. Maneiro, hein? Fiz isso algumas vezes antes de ser pega, acredito que por um pequeno descuido. Não lembro. O fato é que nunca mais fiz. Ficou muito feio para minha reputação em pleno desenvolvimento. Esse meu egoísmo teve um sabor meio traumatizante.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Hello "stranger"...

Descobri que você ainda vem aqui. E que lê os textos sem graça que eu costumo escrever. E apesar de todas as besteiras e blá,blá,blá que costumam cruzar minha cabeça desocupada, fico feliz por isso. De alguma forma, você ainda pensa em mim. Ou lembra de como tudo parecia mais fácil antes. Saudade already! Os dias, as semanas, os meses se repetem e eu quase não sei mais de você. Sai ano, entra ano e temos falado cada vez menos. Mas, quando aparecer de novo, por favor, deixe seu recado... Talvez você atenda ao meu pedido e me escreva, assim como talvez eu te responda... E quem sabe você possa aparecer com uma certa freqüência. Talvez...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Para quem já foi criança II...

Ando pensando muito na minha infância. Acho que porque vou experimentar e ver uma de muito perto daqui alguns meses. E eu nunca imaginei que fosse admitir isso, mas eu era mega medrosa quando criança. Pelo menos a noite. Pelo menos no escuro. Não enxergar nada e imaginar seres de outros planetas, bicho papão, fantasmas e monstrengos te puxando o pé quando se está deitada na cama pode ser assustador. Ninguém mandou assistir filmes de terror achando que era muito grande para tanto. Ficava tão impressionada que não dormia e imaginava mil coisas. Acho que minha insônia pode vir dessa época. De qualquer forma, dormir com minhas irmãs gêmeas no mesmo quarto não me bastava. Eu dormia no beliche (em cima) e sempre imaginava uma cobra subindo e rastejando pela parede que era exatamente onde eu ficava encostada de olhos bem abertos e pronta pra sair correndo, caso acontecesse alguma coisa. Até que eu era vencida pelo cansaço e dormia. Mas às vezes, algumas poucas vezes, eu sentia tanto medo que acordava as irmãs mais novas e contava uma estória de como era bacana dividir a cama uma com as outras. Ficar conversando baixinho, bem pertinho. Mal elas sabiam que por trás da 'brincadeira' de dormir juntas ou a de conversar baixinho pro pai e a mãe não ouvirem, tinha um medinho real da irmã mais velha aqui. Eu me sentia mais segura bem no meinho das duas e com as pernas bem flexionadas para que nada, absolutamente NADA pudesse alcançar ou puxar minhas pernas indefesas. Mas aí o dia clareava e eu já podia ser forte e corajosa de novo. Pelo menos até a noite.